'O sono é doce para o trabalhador.' John Bunyan

O sono na Antiguidade - Costumes e curiosidades

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Texto: Postado em Curiosidades por Caio Cesar no dia 29 de Outubro de 2019 .

Desde o primeiro sopro de vida, dormir é uma necessidade comum à natureza humana. Fato. O sono atravessa gerações, desafia a ciência e ocupa um lugar em cada cultura. Inevitável é a presença de costumes singulares, sobretudo quando miramos o passado e analisamos o sono na Antiguidade.

No artigo de hoje, convidamos você para uma viagem no tempo. Conheceremos, nas próximas linhas, usos e costumes relacionados ao sono nas principais civilizações antigas. E não se esqueça: dormir bem é viver bem.

Boa leitura!

1 - Conhecendo o sono na Antiguidade

1.1 -  Romanos 

Festas regadas a vinho, orgias e sacrifícios aos deuses: excentricidades que renderam grande fama aos antigos romanos. O luxo, peculiar, embelezava o quarto dos cidadãos mais prósperos, que dormiam em camas de madeira nobre e enfeitadas com ouro, prata, bronze ou marfim. Conchas do mar também eram outro idem decorativo comum.

As camas romanas, quase sempre, possuíam cabeceira e estribos. Como material de enchimento para colchões, a palha, o junco e a lã eram três componentes habituais. Entretanto, homens e mulheres da alta sociedade preferiam a tradicional plumas de ganso. Tendência que ainda conservamos — quem diria, não?!

As classes menos favorecidas dormiam em camas simples. O colchão era recheado com palha e coberto com a pele de algum animal.

É apropriado dizer que as camas iam além dos costumes convencionais. Elas eram utilizadas durante reuniões, momentos de lazer e fartos banquetes. Outros romanos, aqueles que disfrutavam do alto poder aquisitivo, tinham uma cama para cada ocasião!

Despertar-se durante a noite — o que muitos, hoje, chamam de insônia — não era motivo de aborrecimento para os romanos. Nestas horas, [1] aproveitavam o tempo de forma bem produtiva, com trabalho ou estudos. Eles, sim, levavam a sério o conceito Carpe Diem.

Talvez você esteja se perguntando: “Como eles lidavam com os sonhos?”. Pois bem: o modo como interpretavam este fenômeno estava diretamente ligado aos gregos — digo, a interpretação dos sonhos foi uma herança transmitida pelos cidadãos atenienses. Para se ter uma ideia, o imperador César Augusto acreditava que todo sonho era por si só uma profecia, e criou uma lei polêmica: todo cidadão romano, que tivesse um sonho referente ao império, deveria contá-lo publicamente no mercado da cidade.

Os sonhos se transformaram em um assunto muito discutido entre estudiosos e intelectuais. Muitos ousavam dizer que os sonhos não eram uma inspiração divina, mas sim, um reflexo das paixões e das práticas na vida quotidiana — concorda?

1.2 - Egípcios

O luxo egípcio não menosprezava os detalhes. O modelo predominante de cama exibia, através de linhas entalhadas, desenhos artísticos delicados. Havia capricho até nos pés que serviam de apoio, uma vez que suas formas imitavam a pata de um animal.

A parte superior da cama, que servia para sustentar a cabeça, também passava pelas mãos do artista carpinteiro. Trata-se de um apoio acolchoado, que oferecia maior comodidade. Aliás, até era possível dispensar o uso de travesseiros, pois eles costumavam aumentar o nível de transpiração em terras egípcias, famosas pelo calor, pelo mistério milenar.

Os habitantes do Antigo Egito também tinham estribos na cama, para que não caíssem durante o sono. Era normal a cama ser inclinada, a fim de manter a cabeça levantada — qual seria a real finalidade disso? Facilitar a respiração? Evitar refluxo gástrico? A estrutura da cama era reforçada por juncos, oferecendo uma base segura para o colchão.

Por falar em colchão, naquele tempo este objeto era composto por ripas de madeira e almofadas revestidas de tecidos confortáveis, como a lã, por exemplo.

Lençóis de linho eram uma peça indispensável, obra artesanal fabricada por mulheres pobres que o tinham como única fonte de renda.

Certas fontes [2] ainda revelam: aquele que ocupava o topo da pirâmide social, o faraó, descansava em leitos inteiramente de ébano e ouro (o rei Tutancâmon é um exemplo que cabe aqui). Era comum encontrar nos aposentos do faraó móveis adornados com prata, bronze, ébano e marfim.

Longe dos palácios faraônicos, muitos egípcios pobres não tinham cama e, portanto, contentavam-se dormindo no chão ou sobre um bocado de folhas de palmeira. Alguns homens miseráveis até possuíam um local para repousar, isto é, colchões simples e preenchidos com palha ou lã.

A cultura egípcia via nos sonhos um significado divino. Por isso, solicitavam a ajuda de pessoas cuja única finalidade era interpretar sonhos enquanto, nos templos, havia a celebração de rituais, a oferta de sacrifícios e orações, para que os deuses concedessem o dom de adivinhar o futuro durante o sono.

Os faraós, tidos como seres divinos, atribuíam aos seus sonhos um significado especial, como se houvesse uma conexão direta entre estes homens e os deuses.

1.3 - Gregos

Não diferente das culturas mencionadas nos parágrafos acima, somente as pessoas ricas dormiam em camas na Grécia Antiga. Eram, a princípio, camas muito semelhantes às modernas, sabia? Também eram camas feitas de madeira e modeladas por um carpinteiro hábil. Porém, em razão da mão-de-obra, as camas eram um objeto muito caro.

Os gregos que não podiam comprar sua cama, dormiam no chão, usando a própria túnica como cobertor ou travesseiro.

O sonho tem um papel importante na cultura grega. O Oráculo de Delfos, por exemplo, que influenciou a sabedoria grega, emitiu diversas profecias baseadas em sonhos. Aristóteles [3] disse certa vez que os seres humanos podem conquistar uma sabedoria pura durante o sono, afinal, “nesse momento nossa mente alcança a liberdade”. 

É importante destacar que os gregos não recorriam aos sonhos só para adivinhar o futuro, mas também conquistar a prosperidade no presente. Ironicamente, hoje isso se repete, basta pensar naquelas pessoas que sonham com certo animal e, logo, consideram-no uma aposta válida para o Jogo do Bicho — cuidado para não dar Zebra!

Gregos famosos, como no caso de Hipócrates, diziam que os sonhos sinalizavam sinais importantes que condiziam com a saúde física e mental. Podemos apostar que ele foi o primeiro homem a não ver qualquer ligação entre os sonhos e os deuses. Aos poucos, a humanidade foi despertando... 

Referências bibliográficas:
[1] https://www.manifatturafalomo.com/blog/sleep-tips/insomnia-ancient-romans/
[2] https://www.sealy.co.uk/about-sealy/inside-sealy/sealy-blog/2014/december/the-history-of-beds-and-mattresses/
[3] https://blog.snoozester.com/history-and-meaning-of-dreams-in-ancient-cultures/

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