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Narcolepsia - O que é, sintomas, causas e tratamento

Capa post - Narcolepsia - O que é, sintomas, causas e tratamento

Texto: Postado em Distúrbios do sono por Marcelo Morais no dia 23 de Outubro de 2016 e última atualização dia 25 de Julho de 2018 .

Você já ouviu falar de Narcolepsia? Neste artigo, iremos explicar o que é, suas causas, sintomas e possíveis tratamentos. Uma patologia do sono que pode atingir, em média, 1 entre 2 mil pessoas e, mesmo assim, ainda é circundada de mistérios e dúvidas.

Portanto, este post busca auxiliar no melhor entendimento da Narcolepsia, e enfatizamos que um bom diagnóstico e prognóstico podem ser encontrados em clínicas do sono.

1 - O que é a Narcolepsia?

Narcolepsia é uma doença caracterizada por ataques irresistíveis de sono e episódios temporários de fraqueza muscular, conhecido como cataplexia. Estes episódios podem ocorrer frequentemente e em situações inapropriadas, sendo mais comuns durante os períodos de inatividade ou atividade monótona e repetitiva, sem o controle do indivíduo. Desta forma, trata-se de uma patologia rara e invalidante, caracterizada por uma desregulação do sono, e após os 'cochilos' os pacientes se sentem descansados [1].

Em 1877, a doença foi descrita pelo neurologista alemão Westphal como “um homem sofrendo de acessos súbitos de sono e episódios motora e da fala.” Em 1880, o francês Gélineau nomeou esta doença da maneira como a conhecemos hoje.  

Narcolepsia é um termo de origem grega: “narke” + “lepsis”, que significa "crise de sonolência" ou "apoderado pelo sono". Assim, é uma patologia neurológica crônica cada vez mais reconhecida, embora subdiagnosticada, principalmente em idade pediátrica [2].

2 - A diferença entre o sono normal e a narcolepsia

O sono normal é dividido em sono NREM (non-rapid eye movement ou “movimento não-rápido dos olhos”) e em sono REM (rapid eye movement ou “movimento rápido dos olhos). Cada tipo de sono tem características fisiológicas distintas [2][3].

A American Academy of Sleep Medicine subdivide o sono NREM, por sua vez, em 3 estágios: N1, N2 e N3. Nos adultos, considera-se que o estágio N1 corresponde a um estágio transicional entre a vigília e o sono, que ocorre ao adormecer e durante breves períodos. O N2 caracteriza-se por ser um estágio de sono mais profundo, porém não tanto como no estágio N3. O estágio N3, chamado de sono de ondas delta ou ondas lentas, corresponde ao sono profundo [2][3].

O sono REM é caracterizado por atonia muscular generalizada, exceto musculatura ocular que produz movimentos involuntários rápidos. É também, nesta fase, que a atividade dos sonhos é mais intensa, sendo estimulado por secreção de acetilcolina e inibido pela serotonina. O período de sono REM e a densidade de movimentos oculares aumentam ao longo do sono [2][3].

Assim, o sono ocorre em ciclos de sono REM e NREM alternados e, normalmente, começam no estágio N1, progredindo para N2, N3 e REM, sucessivamente. Em média, o primeiro ciclo tem duração de 90 minutos, e os seguintes são progressivamente mais longos, com duração de 100 a 120 minutos, até o total de quatro a cinco ciclos durante um período normal de 8 horas de sono. O sono N3 é o mais abundante durante o primeiro terço da noite, enquanto o sono REM predomina no último terço noturno [2][3].

No entanto, em pacientes com narcolepsia são comuns: uma entrada mais rápida em sono REM, geralmente em menos de 20 minutos após adormecer; sono REM fragmentado, perda de tônus muscular e períodos mais longos de sono N1 [2][3].

3 - Ocorrência da narcolepsia

Não existem pesquisas conclusivas no Brasil quanto ao números de pessoas com esta patologia. Mas estima-se que nos EUA, Europa e Japão, sua prevalência é em torno é de 0.02-0.18% na população, o que equivale a 1 caso da doença em cada 2 mil pessoas [2].

Na maioria dos casos, os primeiros sintomas aparecem na segunda década de vida, quando as pessoas estão entre as idades de 10 até 25 anos. Em casos raros, a narcolepsia pode aparecer em idade mais jovem ou em adultos mais velhos. Se não diagnosticada e tratada mais cedo, a narcolepsia pode interferir na função e desenvolvimento psicológico, social e cognitivo, podendo prejudicar as atividades acadêmicas e sociais [4].

Atualição 20/Julho/2018: "Fui demitida porque dormi no trabalho", eis o desabafo de uma jovem que, desde os 14 anos, é vítima desta terrível doença. Por ser, aliás, uma doença "rara", certamente muitas pessoas desconhecem a rotina daquelas que se deparam com um sono constante e incontrolável, capaz de arruinar tanto a vida profissional quanto à pessoal. Se você deseja saber mais sobre o cotidiano de quem sofre de narcolepsia, nós lhe indicamos a leitura deste artigo

4 - Sintomas

Existem dois sintomas essenciais: a sonolência excessiva e a cataplexia. Mas os portadores de narcolepsia apresentam, de modo geral, um conjunto de 5 sintomas [1][8]:

  • Sonolência excessiva: Vontade incontrolável de dormir, independente da quantidade de sono anterior.
  • Cataplexia: Ataque repentino e geralmente breve de fraqueza muscular relacionado a uma reação emocional forte.
  • Paralisia do sono: Paralisias breves que ocorrem quando a pessoa começa a pegar no sono ou acaba de acordar.
  • Alucinações hipnagógicas: Alucinações intensas que ocorrem no limiar entre o estado de consciência e sono, ou antes de acordar.
  • Sono fragmentado: Constantes interrupções durante o principal período de sono.

A sonolência excessiva é o primeiro sintoma em 90% - 94% dos casos, apresentando-se como a principal queixa do paciente. Este sintoma faz com que as pessoas possam pegar no sono a qualquer momento do dia e mesmo durante atividades do dia a dia. A paralisia e as alucinações são sintomas menos frequentes e podem não aparecer no início da doença [8].

5 - Quais as causas da Narcolepsia?

De acordo com pesquisas, a causa da narcolepsia é a falta de um químico do cérebro chamado hipocretina, o qual estimula as células cerebrais e ajuda a promover o estado de vigília. Não há ainda informações conclusivas a respeito da queda da quantidade de hipocretina no organismo. Acredita-se que alguns fatores podem agir neste sentido, tais como [6][9]:

  • Infecção
  • Perda de certas células cerebrais devido à lesão, toxinas e/ou reação autoimune
  • Alterações hormonais
  • Estresse

6 - Quais tratamentos estão disponíveis?

Infelizmente, a narcolepsia ainda não pode ser curada, mas medicamentos e adaptações no estilo de vida podem ajudar a controlar os sintomas. Sendo assim, a abordagem terapêutica da narcolepsia tem por objetivo o controle dos sintomas, que condicionam a vida social, familiar, laboral ou escolar do doente [10].

Quando a cataplexia está presente, acredita-se que a perda de hipocretina pode ser irreversível ao longo da vida. Mas, sonolência excessiva diurna e cataplexia podem ser controladas na maioria dos indivíduos com o uso de medicamentos específicos [11].

Para isto, o aconselhamento de um médico especialista do sono é fundamental no acompanhamento do paciente com narcolepsia [12].

7 - Que estratégias comportamentais ajudam as pessoas com os sintomas?

Entre as medidas mais importantes que as pessoas podem tomar, é a melhora da qualidade do sono e, para isto, pode-se tomar algumas medidas como:

  • Manter um esquema de sono regular: ir para a cama e acordar na mesma hora todos os dias.
  • Evitar álcool e bebidas com cafeína por várias horas antes de deitar.
  • Evitar refeições pesadas antes de dormir.
  • Evitar fumar, especialmente à noite.
  • Manter o ambiente do quarto adequadamente confortável.
  • Envolver-se em atividades relaxantes, como um banho quente antes de dormir.
Fontes e referências:
[1] https://sleepfoundation.org/sleep-disorders-problems/narcolepsy-and-sleep
[2] https://en.wikipedia.org/wiki/Narcolepsy
[3] http://www.webmd.com/sleep-disorders/guide/narcolepsy#1
[4] http://www.minhavida.com.br/saude/temas/narcolepsia
[5] http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/nar/signs
[6] http://www.nhs.uk/Conditions/narcolepsy/Pages/Introduction.aspx
[7] http://disturbiosdosono.net/narcolepsia.shtml
[8] Cabral, S. Ana. Madeira, Nuno. Matos, J. Maria. "Estou sempre com sono, será doença?” – Caso clínico de narcolepsia na adolescência. Scientia Medica. 2014.
[9] http://www.ninds.nih.gov/disorders/narcolepsy/detail_narcolepsy.htm
[10] https://hmsportugal.wordpress.com/2011/03/18/o-que-e-narcolepsia/
[11] http://www.polisono.com.br/disturbios-sono/narcolepsia-cataplexia.asp
[12] http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/1264

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