'Pessoas que roncam sempre dormem primeiro :(' Triste Verdade

O que é Misofonia e como os protetores auriculares podem ajudar

Misofonia. Essa palavrinha diferente vem tirando o sossego de muitas pessoas. Porém ainda é uma ilustre  desconhecida da grande maioria. Se você ainda não ouviu falar dela, esta é sua oportunidade. Se já conhece um pouco mais, é hora de conhecê-la melhor...

Letícia* entrou na loja, apressada e ofegante. Com as mãos no peito, coração acelerado, face respingada de suor. Era mais um episódio de misofonia.

Mas o que é a Misofonia?

Vamos às origens. Palavra proveniente do grego, miso=ódio, aversão, fonia=sons. Em bom português, aversão a barulhos. Essa intolerância é relativa a alguns ruídos específicos, principalmente aqueles barulhos irritantes produzidos pela boca, como a mastigação, o ranger de dentes, a respiração assim como outros ruídos considerados perturbadores produzidos por alguns objetos do cotidiano como chaves, plásticos, giz, canetas e chicletes, dentre outros.

A misofonia ou síndrome 4S (Síndrome da Sensibilidade Seletiva aos Sons) é um distúrbio causado por uma reação extrema a determinados sons. Os indivíduos com essa condição sentem-se extremamente irritados ao ouvir esses barulhos e não conseguem ignorá-los, pois são extremamente sensíveis aos seus efeitos. Trata-se de uma hipersensibilidade auditiva. O simples tilintar de talheres já pode desencadear uma reação explosiva nessas pessoas. A reação a esses sons, diferentemente de outras hipersensibilidades auditivas como a hiperacusia (intolerância ao nível de volume dos sons) e a fonofobia (medo dos sons), não está associado ao volume do som e sim à audição sensível das pessoas afetadas, nas quais os sons desencadeiam um reflexo emocional peculiar e extremo ao ponto de perderem o controle emocional facilmente.

Muitas pessoas têm passado por esses problemas e cada vez mais vem aumentando a procura por ajuda especializada para diminuir o efeito da baixa tolerância a esses sons. Estudos sugerem que as pessoas que sofrem de estresse e transtorno de ansiedade são mais propensas a desenvolver a misofonia, ou seja, estão mais vulneráveis à irritação causada por esses ruídos. A resposta aos estímulos auditivos ocorre no sistema nervoso autônomo e no sistema límbico, produzindo a irritabilidade ao ouvir os sons. O corpo reage a essa exposição. Então é desencadeada toda uma reação fisiológica a partir desse gatilho. Algumas pessoas acometidas do transtorno relatam, além do sentimento de irritação e ódio, falta de ar, taquicardia e outras sensações relacionadas à ansiedade, fobia social e à síndrome do pânico como a compressão no intestino e desejo de fuga do ambiente hostil, por exemplo.

Eu tenho misofonia?

Os primeiros episódios da misofonia costumam ocorrer dentro da própria família ainda na infância e adolescência como, por exemplo, a reação a certos ruídos que provocam uma sensação de raiva, resultantes de uma reação fisiológica como resposta a essa angústia. O barulho se torna um gatilho para a reação fisiológica ocorrer. Daí a pessoa passa a associar todos os episódios auditivos desse contexto com a situação da angústia vivida, surgindo a situação de tensão e fúria no sistema nervoso. Dessa forma é criado o complexo quadro do distúrbio. Para muitos misofonicos (aquele que sofre de misofonia), a descoberta aconteceu nas refeições em família, ao ouvir o barulho da mastigação e dos talheres e sentir uma reação forte de irritação. Essa reação pode variar até o extremo da violência contra quem está produzindo aquele barulho, neste caso vista como uma agressão aos ouvidos da pessoa com misofonia. Além da intolerância a esses sons específicos, também existe uma aversão a alguns movimentos visuais como mexer as mãos, os pés, estalar os dedos e roer as unhas, os quais são extremamente intoleráveis.

Geralmente a aversão é relativa a sons específicos, porém com o tempo e caso não seja tratada, a misofonia pode dificultar a vida normal da pessoa e até mesmo inviabializar uma vida social saudável, uma vez que o misofonico vive em constante tensão com o mundo exterior, pois não sabe e não tem como prever quando ouvirá o próximo som que atormentará sua vida, desencadeando a reação extrema de ódio, falta de concentração, impotência e descontrole. Dessa forma, para evitar os barulhos que causam esses fortes sentimentos de raiva, ele(a) passa a evitar o convívio social, fugir de situações cotidianas como almoçar com a família e amigos como forma de se proteger da exposição sonora responsável por essas sensações de desconforto e mal estar. Aí está a principal diferença entre um simples incômodo e o transtorno, pois quando passa a afetar a rotina e a concentração, configura-se como um transtorno psicológico e deve ser tratado.

Principais barulhos irritantes

  • Mastigação (alimentos, chicletes, salgadinhos);
  • Deglutição;
  • Respiração;
  • Barulho de talheres, saco plástico, clique de canetas, lixa de unha, atrito do giz na lousa, latido de cães, barulho do teclado, movimento de agitação de pés e mãos;

Histórico e Diagnóstico

Embora o transtorno tenha diagnóstico, não é nada fácil chegar a essa conclusão, pois as pessoas com misofonia tem muitos sintomas parecidos com outros transtornos, como a ansiedade, fobia social e síndrome do pânico. Atualmente, como resultado de anos de pesquisas e pelo fato de o ouvido ser o ponto de origem da síndrome, os otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos (especialidades médicas responsáveis pelo acompanhamento e avaliação das doenças relacionadas ao ouvido) primeiramente descartam todas as doenças relativas ao sistema auditivo. Portanto, se você desconfia que sofre dessa condição deve procurar primeiramente um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo para uma entrevista minuciosa e uma avaliação médica.

Os exames realizados para auxiliar no diagnóstico são a audiometria e a medida do limiar de desconforto aos sons (exame complementar à audiometria). Na audiometria, avalia-se a capacidade de ouvir e interpretar os sons; enquanto no limiar do desconforto auditivo é avaliado o nível dos sons que podem ser suportados. Os resultados desses exames no misofonico não apresentam nenhuma alteração. Eles têm a audição perfeita. Se o seu resultado também não apresentar nenhuma alteração no sistema auditivo e se você sente os sintomas anteriormente mencionados, você provavelmente sofre de misofonia.

Pesquisas Científicas

Pesquisas recentes realizadas no início deste ano pelos cientistas da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, confirmaram um comportamento padrão nos misofonicos.  Os seus cérebros estão programados para reagir a esses barulhos irritantes de forma excessiva, com sentimentos de raiva e ódio. O estudo comparou as imagens de ressonância magnética de 20 pessoas com misofonia com a de outros indivíduos que não sofrem dessa condição. Constatou-se que todas as pessoas com misofonia tiveram o lado do cérebro conhecido por córtex insular anterior-responsável por integrar as sensações e as emoções, excessivamente ativado quando submetido aos barulhos irritantes mais comumente relatados.

Enquanto nas pessoas sem essa condição, nenhum registro de alteração foi detectado. Detalhe: quando exposto a outros sons, como o barulho da chuva ou outro ruído qualquer, os cérebros dos misofonicos não mostraram alterações, o que para os cientistas comprova um padrão, uma descoberta recente que pode ajudar na tentativa de descobrir uma cura, uma vez que até agora existem apenas tratamentos para amenizar os efeitos. Muito já foi descoberto em pouco tempo de pesquisa, o que traz mais esperança para a descoberta de novos tratamentos e quem sabe a cura.

A misofonia é uma doença?

Há controvérsias, pois somente em 1990 a misofonia começou a ser estudada. Entretanto, não consta na lista do CID (Código Internacional de Doenças) e tampouco é considerada uma doença psiquiátrica. Talvez por não haver consenso entre os profissionais se é uma síndrome, um transtorno auditivo ou uma comorbidade (associada a outra morbidade) e ainda seja necessária a realização de muitos estudos para sua correta classificação. Entretanto pelos resultados do mais recente estudo realizado na Grã-Bretanha pode-se notar uma tendência para uma futura classificação em outros distúrbios neurológicos, visto que se trata de uma predisposição do cérebro, conforme resultados da pesquisa. É certo que ainda há um longo caminho de estudo e pesquisa científica para desvendar a misofonia e ajudar as pessoas a, pelo menos, conviver com a condição, melhorando de forma significativa sua qualidade de vida.

Misofonicos

Por ser um distúrbio relativamente novo, ainda não há pesquisas oficiais sobre a quantidade de pessoas que sofrem dessa condição. Mas é certo que todos nós conhecemos alguém com queixas excessivas de um barulho que para muitos pode até ser ignorado, mas que para a pessoa que reclama é um verdadeiro desafio. Há relatos constantes de pessoas com misofonia com reações similares à síndrome do pânico e ao transtorno de ansiedade, como a de Letícia no início do post. Com a divulgação das causas e sintomas principalmente pela mídia especializada e grupos de apoio na internet, espera-se a conscientização de um maior número de pessoas para a importância de se reconhecer que essas queixas não são “frescuras” e que existe um tratamento para minimizar o sofrimento daqueles que têm sua vida pessoal e profissional comprometida e limitada pela intolerância a esses barulhos irritantes.

VOCÊ SABIA?

MISOFONIA TEM 11 NÍVEIS DIFERENTES DE CATEGORIA, QUE VARIAM CONFORME A SENSIBILIDADE E A QUANTIDADE DE BARULHOS IRRITANTES QUE AFETAM VOCÊ. POR ISSO É IMPORTANTE O CORRETO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PARA O CONTROLE DA SÍNDROME.

O tratamento

A boa notícia é que existem tratamentos específicos que podem minimizar os efeitos de uma audição hipersensível. Entre eles está, o Retreinamento do Zumbido, no qual o paciente usa aparelhos geradores de ruído com a finalidade de tirar o foco dos pequenos barulhos irritantes, a terapia cognitivo-comportamental e o uso de protetores auriculares. O tratamento com a TCC (terapia cognitivo-comportamental) ajuda a controlar os efeitos causados pelos barulhos irritantes e está provando ser eficaz para manter o paciente sob controle desses efeitos.

Protetores auriculares

Os protetores auriculares são os principais aliados de quem sofre de misofonia, pois eles atuam diminuindo consideravelmente os barulhos irritantes que causam as fortes sensações de fúria e raiva. Com esse bloqueio acústico parcial, os misofonicos podem voltar ao convívio social, almoçar em família, pegar um ônibus sem escutar o barulho da mastigação de chiclete das pessoas ao redor e todos aqueles barulhos insuportáveis por eles. Além de ajudar no retorno ao convívio social, os protetores auriculares são muito úteis na melhoria da qualidade do sono, pois da mesma forma, interrompem boa parte da passagem do som mantendo a pessoa longe dos ruídos que lhe tiram o sono, possibilitando uma noite de sono tranquila e agradável, sem interrupções por roncos ou pelo barulho da respiração de seu parceiro, resultando em uma vida mais livre, sem as restrições causadas pelos efeitos dos barulhos irritantes.

Para os misofonicos é um ótimo paliativo, pois auxilia na reintegração social e, à medida do possível, auxilia na volta a uma vida social e profissional quase normal. O mais importante é não se dar por vencido, pois os protetores auriculares podem ajudar a seguir em frente, a conviver com as limitações que você deve se acostumar, pois é um distúrbio ainda sem cura, mas com tratamentos extremamente eficazes que atuam na origem da sensação de intolerância. Hoje no mercado existem uma variedade de marcas e modelos.

Muitas pessoas têm vindo à nossa loja em busca de protetores auriculares para amenizar os efeitos dos barulhos irritantes em suas vidas. Devido a essa demanda cada vez maior, decidimos fazer esse post para informar e esclarecer essas questões para quem sofre desse distúrbio e, claro, dar visibilidade à misofonia, ser uma voz na mídia especializada para que a qualidade de vida dos misofonicos aumente e seja possível levar uma vida normal. A Letícia, do início do post, já não sofre tanto com os efeitos do distúrbio. Você também não precisa perder os melhores momentos de sua vida por conta dessa limitação. Procure tratamento. Para ajudar você nessa busca, nosso blog selecionou os melhores protetores auriculares para você escolher o que mais se ajusta as suas necessidade, canal auditivo e preferências. A variedade é grande, desde o nível de volume bloqueado até o tipo de material utilizado na fabricação. Veja os produtos nesse link.

*Nome trocado para preservar a identidade.

Fontes e referências:
[1] https://misophoniainstitute.org/earplugs-and-noise-cancelling-headphones/
[2] http://www.bbc.com/portuguese/
[3] http://misofonia.com.br/
[4] https://diariodeummisofonico.wordpress.com
[5] https://www.direitodeouvir.com.br/audiometria
[6] http://www.webmd.com/mental-health/what-is-misophonia
[7] http://www.portalsaofrancisco.com.br/saude/misofonia
[8] https://www.facebook.com/Misofonia-169347336523520/
[9] http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v66n3/0047-2085-jbpsiq-66-3-0178.pdf
[Imagem] http://nymag.com/scienceofus/2016/05/what-it-s-like-to-be-unable-to-bear-the-sound-of-someone-eating.html

Postado em Diversos e Curiosidades no dia 28 de Setembro de 2017

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