'O sono é doce para o trabalhador.' John Bunyan

Barulho Excessivo - Como dormir e lidar com o barulho nas piores situações

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1 - Apresentação

Tem sido cada vez menor  — quase nenhuma! — a distância entre silêncio e barulho em tempos modernos. À medida que estes opostos se aproximam, travam um combate desigual — desde sempre testemunhamos a constante presença dos sons indesejáveis, cujos efeitos abalam a saúde em diversos pontos.

Os filósofos gregos e romanos frequentemente já lembravam do barulho como uma distração séria, desafiando suas habilidades de se concentrar. Um exemplo é o filósofo estóico Sêneca, que escreveu uma carta inteira sobre o silêncio e o barulho, e descreveu com grandes detalhes os barulhos de uma casa de banho que ficava bem embaixo do quarto onde escrevia. Seneca, expressa sua irritação com a distração 'babilônica' em volta dele.

Para falar sobre o barulho, destacando seus danos e a maneira correta de lidar com a situação, ninguém mais indicado senão quem conviveu com este terrível incômodo durante anos. Confesso que isso foi meu tormento, mas também a chave que me concedeu novas ideias.

Tudo começou em 2014, com a presença de um botequim bem tradicional. “Tradicional” porque se igualava a tantos outros, em especial naquilo que transforma qualquer bar em um ambiente caótico. Pior era tê-lo bem ali, a pouquíssimos metros de minha casa. Como se não bastasse o falatório, as brigas e os agitados frequentadores, sua caixa de som era o terror da vizinhança.

Todos os fins de semana, até o sol de segunda-feira raiar, eles empurram goela abaixo as mesmas músicas, seguindo sua sequência já conhecida, por meio de um volume percebido a uma longa distância. De vez em quando outros moradores e eu éramos pegos de surpresa pelo maldito repertório musical durante a semana — sim, foram madrugadas difíceis. Até imagino que você, atualmente, esteja passando por algo assim... O que fazer nestes momentos? 

Nunca pensei em chamar a polícia ou tirar satisfações com o dono do bar. Mas foi através de um caminho prático, a internet, que encontrei diversas formas de proteção contra os barulhos que incomodam; alguns métodos foram de grande utilidade, outros não proporcionaram o resultado esperado. Ainda assim, de imediato, tomei a iniciativa de criar um pequeno blog, onde reuni diversas dicas para proteger-se do ruído e beneficiar as nossas noites de sono. Foi o pontapé inicial.

Aos poucos, o blog ganhou novos leitores e conforme minhas fontes de pesquisa, que visavam tudo que pudesse elevar a qualidade do sono, notei que o mercado brasileiro carecia de bons produtos que ajudam a dormir, principalmente aqueles itens que ajudam a bloquear o som. Foi um excelente motivo para transformar nosso blog em uma loja virtual, onde nosso carro chefe é a venda de protetores auriculares. 

Lá fora, o silêncio continua sendo um elemento raro. Ele está ausente nas vias públicas: ruas dominadas pelo caos sonoro, devido à desordem que surge a partir dos meios de transporte, pedestres e vendedores ambulantes. Ele está ausente nos prédios: Estruturas antigas ou mal feitas fazem com que você escute cada barulhinho no vizinho, como um simples abrir de torneira. Ele está ausente no local de trabalho: clientes e companheiros de trabalho regem uma orquestra nada harmoniosa. Ele está ausente em nossa casa: raros são os vizinhos que preservam o sossego. Além disso, no cenário urbano, a gente costuma se deparar com latidos constantes e obras realizadas fora do horário permitido. Como se não bastasse, algumas pessoas ainda compartilham o quarto com alguém que ronca. 

Muitos são os problemas, e vale destacar o depoimento de um dos nossos leitores sobre o barulho na estrutura das casas e apartamentos: 

Pol.: “Quando o vizinho arrasta móveis e objetos de madrugada, dá pra sentir tudo… cada barulhinho e vibração. A parede da área de serviço e a cozinha da vizinha do lado também dividem parede com meu quarto, dá pra escutar tudo e até parece que estão socando a parede! Mas até coisas simples como ligar a torneira… tudo isso se projeta na estrutura do prédio e provoca os barulhos, às vezes eu estou quase dormindo e acordo com esses barulhos”.

Não se trata de um problema atual, pois precisamente em 1896 — um artigo (‘The Plague of City Noises’) abordou os danos provocados pelos sons da cidade no sistema auditivo e nervoso. O texto em questão afirma que os sons urbanos tanto incomodam quanto diminuem o tempo de vida. Estas ondas sonoras, geralmente bastante desagradáveis e agressivas, entram em contato com o sistema nervoso simpático e, então, estimulam a produção de hormônios relacionados ao estresse. Sendo uma reação frequente, há o aumento da pressão arterial e maior taxa de açúcar no sangue, estimulando o surgimento de doenças, como diabetes. Percebe? O problema é antigo!

Para que você entenda meu propósito, é importante destacar que existem dois tipos de pessoas: umas que demonstram maior resistência ao barulho, dormindo e realizando suas tarefas com naturalidade; outras que se incomodam ao escutar o menor ruído, principalmente se exercerem algum tipo de trabalho que exija concentração, e isso também já foi percebido a muito tempo. Kant encontrou nas biografias e declarações de grandes escritores, queixas da dor que o barulho ocasionou aos homens intelectuais e concluiu: 

“... Devo explicar o assunto que estamos tratando da seguinte maneira: se um grande diamante é cortado em pedaços, imediatamente perde seu valor como um todo; ou se um exército é espalhado ou dividido em pequenos grupos, ele perde todo o seu poder; e, da mesma forma, um grande intelecto não tem mais poder do que um normal, tão logo seja interrompido, perturbado, distraído ou desviado; pois sua superioridade implica que ele concentre toda a sua força em um ponto e objeto. A interrupção barulhenta impede essa concentração... A mais inteligente de todas as nações europeias chamou “Nunca interrompa” o décimo primeiro mandamento. Mas o ruído é a mais impertinente de todas as interrupções, pois não apenas interrompe nossos próprios pensamentos, mas os dispersa.”

O bater, o martelar e o derrubar das coisas faz com que a vida de algumas pessoas seja um tormento diário, a essas pessoas dedico esse livro. São homens e mulheres que compartilham casos pessoais, repletos de dificuldades e episódios interessantes. São relatos que, sem dúvidas, estarão presentes nas próximas páginas.

Quase todo mundo deseja saber como encontrar o silêncio e o jeito mais fácil de conservá-lo. De fato, as dúvidas são muitas, mas a quantidade de respostas é satisfatoriamente variada, o que me motivou a organizá-las aqui. Ele serve de guia prático, esclarecedor e instrutivo, que ensinará a você como alcançar o silêncio em diversas ocasiões.

Boa leitura!

2 - Perdemos o silêncio… e a educação

Viver em sociedade representa um desafio constante. O contato entre diferentes personalidades cria obstáculos que, cedo ou tarde, servem de aprendizado. Digamos que o barulho contínuo foi uma escola para mim, embora eu não possa dizer o mesmo quanto aos meus vizinhos... 

Por que há ruído em todas as partes? Por que vivemos em uma cultura que exalta o barulho? Por que o silêncio incomoda tanta gente? 

Deparar-se com sons perturbadores é típico no centro das grandes cidades. Lamento ao perceber que este fenômeno, reflexo de diversos aspectos modernos, vem ocupando cada metro quadrado das cidades.

Foi-se o tempo em que as tardes de domingo eram silenciosas, ideais para o tradicional cochilo pós-almoço ou até ver um filme sem ser incomodado pela maldita música alta do vizinho. Durante a semana, ainda naquela época, manhãs e noites eram temperadas por um sossego que, hoje, também é sinônimo de saudades.

O cenário atual, que se repete na maioria dos bairros do Brasil, mostra-se acusticamente desastroso. Tudo parece conspirar a favor disso.

A crescente onda de construções, como casas e apartamentos cada vez menores, para acomodar o máximo de famílias juntas, encoraja aqueles que se julgam independentes e, impulsionados por um espírito aventureiro, inauguram botecos, biroscas e outros espaços que funcionam como ponto de encontro, até mesmo suas casas. Nestes locais, o menor pretexto se transforma em festas que, algumas vezes, acabam atrapalhando a noite, o estudo ou o trabalho de alguém… Sem problemas quanto a festas, comemorações, mas como disse, vivemos em uma cultura que exalta o barulho, não há respeito. 

“Foda-se que minha bagunça vai até as 2h da manhã, to na minha casa, faço o que eu quiser...”

Do outro lado da rua, saindo do “profano” e analisando o “sagrado”, as igrejas evangélicas têm transformado garagens e quintais naquilo que seriam templos espirituais. Gritos e louvores estremecem as casas vizinhas que, antes, já eram bombardeadas pelo famoso pancadão. As reclamações sobre igrejas são frequentes:

Raf.: “Onde eu moro tem uma igreja que começa a tocar o sino às 7 am e badala a cada meia hora. Um terror, acho que o padre é surdo. Dentro do meu quarto da 80dB. Vou usar os protetores até o ministério público acatar o meu pedido de lei do silêncio. Além disso, ele toca ave Maria duas vezes ao dia, nesse momento todos os cachorros da região uivam de dor. É uma tortura animal aos olhos vistos e ninguém faz nada. A minha cidade não é caso isolado, em Brotas e Ubatuba aconteceu a mesma coisa. Os padres estão comprando esse sistema de som com sinos digitais. É o fim do Brasil. Boa sorte a todos os trabalhadores desse país.”

Sei muito bem o quanto é difícil impor nossa vontade à dos outros. Geralmente, fazemos parte de uma minoria que valoriza a saúde através do bem-estar ou simplesmente gostamos, queremos ou precisamos dormir cedo e acordar cedo, e acredite: competir com vizinhos barulhentos e mal-educados requer grande esforço e paciência. Contrariar a vontade deles, mesmo que através de um diálogo pacífico, pode ser inútil, além de provocar consequências desagradáveis, como forte desgaste emocional, inimizades e palavras jogadas ao vento. Eu já briguei e quer saber? No fundo, eles nunca vão escutar  você — quer apostar quanto? As palavras de Nietzsche, no livro Zaratustra, fazem sentido: “Paz com Deus e com o próximo: assim o quer o bom sono”.

Vivemos em uma sociedade que, talvez, deveria ser mais resguardada por leis. Desejo abordar aqui uma em especial, que é a “Lei da Perturbação e Sossego”. Na prática, essa é uma lei que raramente funciona, nenhum dos leitores do nosso blog e clientes do site já nos relataram algo positivo em relação a essa lei, ela apenas existe, mas já tentaram sim, acioná-la diversas vezes. 

Ela se baseia no artigo 42 do Decreto-Lei Nº 3.688/41. É considerado crime o ato de incomodar outras pessoas através de manifestações acústicas, a citar carros que, tarde da noite, ostentam a potencialidade de seus alto-falantes, por exemplo. Quem desrespeita esta lei pode ser passível de prisão simples, cujo tempo de detenção vai de 15 dias a três meses. Entretanto, a aplicação de multa também é uma punição válida.

O ruído se converteu em um elemento cultural predominante. Na maioria dos casos, vejo que o barulho é uma porta que nos serve de fuga, permitindo-nos escapar de pensamentos desagradáveis; não é por acaso que sempre há uma TV ou um rádio ligado na casa das pessoas, embora não deem a menor atenção àquilo que está sendo transmitido. São ondas sonoras que preenchem o vazio da solidão.

Como se não bastasse o volume dos típicos aparelhos eletrônicos, vídeos transmitidos pelo telefone celular se destacam simultaneamente. Com isso, a capacidade cerebral responsável por receber informações sofre um impacto negativo. Quanto maior o nível de ruído, maior o nível de estresse, maior o risco de morte.

Sempre percebi que o homem moderno participa de uma busca constante pelo entretenimento. Sozinho ou acompanhado, suas horas de lazer envolvem muita luz, inquietação e tudo que venha a emitir sons. O silêncio lhe incomoda e, em algumas circunstâncias, assume um papel ameaçador — indivíduos silenciosos e discretos estimulam nele desconfiança.

Por fim, não responda a provocações. Não entre em brigas desnecessárias, acredito ser inútil lutar contra uma cultura inteira que enaltece o barulho, somos minoria, tenha armas para lutar contra o barulho e saiba buscar o silêncio. Você deve lutar pela sua tranquilidade, mantendo uma postura gentil, enquanto busca os meios mais inteligentes para diminuir os ruídos, mostre aos seus colegas e vizinhos que o silêncio é mais eloquente que o barulho quando não se perde a educação.

3 - Crescimento populacional: Aonde vamos parar?

O mundo está em constante mudança — aqui, eu não me refiro ao clichê tecnológico. Minha afirmação tem a ver com um fenômeno impactante e previsível, chamado crescimento populacional. Para que você possa observá-lo mais de perto, sugiro: reflita sobre a história do local onde você mora. É o mesmo bairro que acolheu seus avós, assistiu ao crescimento de seus pais, foi o palco de sua adolescência e infância.

Embora quase todas as famílias fossem numerosas, constatavam-se menos casas. Não era necessário andarmos muito para encontrar algum terreno vazio, de mato rasteiro, famoso por ser o campinho de futebol. Ali, já durante o silêncio noturno, crianças se aventuravam em busca de insetos e outros pequenos animais.    

Outros espaços vazios intercalavam o trajeto que, por sua vez, era um dos caminhos até o próximo bar ou mercearia. Mercearia bastante simples, sem jukebox, nem carros de som na porta — ufa! Mas se você é novo no bairro, procure bater um papo com os moradores mais antigos. Eles reforçarão estas pequenas verdades.

Confira o depoimento de uma leitora do blog sobre a situação: 

Ros.: “Eu e quase minha cidade toda temos que aguentar trens que apitam a noite toda, vias de trânsito rápido com movimento que não pára e motociclistas tirando racha, vizinhos mal educados que festejam com som alto madrugada adentro ou alugam suas casas para que outros mal educados o façam, apito de vigilantes noturnos, alarmes disparados, carros de propaganda desde logo cedinho, gente que sai caminhar de madrugada com os cachorros deixando todos os outros pelo caminho loucos de tanto latir etc.. Nem parece cidade do interior. São Carlos SP já foi silenciosa à noite. Faz poucos anos que a falta de educação crônica tomou conta das nossas horas de sono...

Meu propósito, neste capítulo, não é desmascarar teorias mirabolantes ou conspiracionistas sobre o crescimento populacional. Desejo, apenas, que você tenha maior consciência sobre este fato e saiba driblá-lo, sempre com os recursos que sirvam para alcançar o silêncio. É uma questão de sobrevivência.

Nos dias de hoje, percebo que o maior índice de poluição sonora é encontrado em zonas dominadas pelo acúmulo de pessoas. Por exemplo: seu bairro — não diferente do qual morei durante muitos anos — recebeu novos moradores nos últimos meses e anos. Estas pessoas, naturalmente, adquirem suas casas e aumentam suas famílias. Mas acontece que suas moradias, por mais modestas que sejam, passam por uma série de adaptações. Daí, surgem os famosos “puxadinhos”. São inquilinos que não param de chegar. Tudo se transforma em festa, tudo se transforma em contínua agitação.

O exemplo similar acontece em condomínios. Por exemplo, num espaço de 10mil m² que há 20 anos atrás, vamos supor, haviam 10 casas ou menos, hoje nesse mesmo lugar, existem poucas casas, porém surgiram 3 prédios com 7 andares, cada andar com 3 ou 4 apartamentos. Ou seja, num espaço que antigamente tinha no máximo 10 famílias, hoje abriga dezenas, daqui a alguns anos, centenas de famílias… E o que isso significa? Muitas coisas, mas a única coisa que tenho certeza é o barulho, será cada vez maior, estressante, centenas de pessoas confinadas num espaço pequeno… Um inferno. Tire suas conclusões.

Tenho certeza de que a poluição sonora é um dos efeitos mais prejudiciais causados pelo crescimento populacional. O ruído em excesso tem preocupado cientistas e estudiosos. Cabe mencionar um estudo interessante, que foi publicado na revista norte-americana Science. O texto destaca o alto nível alcançado pela poluição sonora, incluindo como este efeito tem prejudicado os ambientes florestais. Pense, por exemplo, naqueles pássaros que usam o canto a fim de encontrar uma parceira, mas acabam sendo prejudicados pelos sons desagradáveis de origem humana. Por isso, certas espécies podem, sim, também estar em perigo por causa do barulho.

Ainda conforme a pesquisa, realizada nos Estados Unidos, 84% das áreas ambientais estão sob níveis preocupantes de barulho, duas vezes acima do normal. Pior: 21% desta mesma demarcação geográfica sinaliza a presença de barulhos dez vezes acima do nível normal..

Talvez diversos leitores estejam se sentindo pessimistas agora, enquanto se perguntam: “Se não há mais silêncio, então para onde eu vou?”. Primeiramente, mantenha a calma! Depois, entenda que há inúmeros bairros dentro de cidades grandes e cidades brasileiras do interior que oferecem noites tranquilas e silenciosas. Também compreendo que viver em uma nova cidade, recomeçar uma vida, não é nada fácil. 

Sair da cidade grande, que geralmente nos oferece muitas facilidades - desde uma quantidade maior de vagas de empregos até dezenas de opções no iFood - requer coragem, planejamento e empenho.  Enquanto isso não for possível, buscamos métodos práticos que, sem demora, sirvam de ajuda contra o barulho.

Entendemos que o crescimento populacional é uma onda crescente, desenfreada! Quem sabe, um dia, ela venha a engolir até as cidades que são conhecidas pelo seu sossego — francamente? Não duvido disso. Como se não bastassem as pessoas que nascem, existem aquelas que vêm de outros lugares. Vivemos em uma panela de pressão — aonde nós vamos parar? Afinal, deixemos esta e outras questões para as demais pessoas... Entenda que, independente das circunstâncias, você precisa estar preparado para lutar pela sua tranquilidade — sempre.

4 - Quando a ansiedade bate à porta

Suponhamos que uma casa de shows foi inaugurada em seu bairro. Eles a fizeram para comportar, diante do palco, centenas de pessoas. Lá, também existem camarotes e arquibancadas, tudo com espaço de sobra. De longe, é fácil perceber sua estrutura e sua agitação musical constante. 

Você, que é um dos moradores mais antigos, ainda não sabe conviver com este novo “vizinho”, mas conhece sua rotina. Inevitavelmente, antes de cada espetáculo, você é abatido por um mal-estar súbito. Digamos ser uma aflição pontual.   

Aflição que, por seu lado, é um misto de sentimentos e sensações: pânico, tremores, inquietação, falta de ar, insônia, tensão muscular... São sintomas que surgem de um problema bastante comum nos dias de hoje, a ansiedade. Ainda seguindo nossa suposição, não é preciso ser um Sherlock Holmes para logo notar a relação causa-efeito entre a agitação da casa de shows e tal angústia. Veja o depoimento:

Ren.: “Trabalho de madrugada chego morto em casa e vou dormir pelas 7h da manhã. Mas assim que deito na cama já bate uma agonia forte e sinto meu coração disparado, a manhã aqui é um saco, é o carro do ovo, gás, ferro velho, caminhão, ônibus, trem, só falta navio! Fora os cachorros, há quase um ano não tenho um sono normal, eu tenho vários cochilos pela manhã e acordo várias vezes de susto.”

Dados mostram que a cada 1000 brasileiros, 93 sofrem de ansiedade, e por não estar sabendo lidar com o ruído excessivo, talvez você, agora, seja um deles. Cabe observar que o Brasil ocupa o topo da lista que cita os países mais ansiosos.   

Em 2017, mais de vinte mil trabalhadores brasileiros solicitaram afastamento em virtude de problemas desencadeados pela ansiedade. Nunca pensei que este distúrbio fosse capaz de mexer com a economia de um país.

Sei como é o drama das pessoas que se sentem aflitas porque são alvo do barulho contínuo. Aqui, quero chamar a atenção destes homens e mulheres, a fim de convidá-los para uma breve e importante autoanálise. É muito simples: basta perceber como se sentem enquanto são expostos aos sons que incomodam.

O que você, nesta mesma ocasião, tem sentido? Procure ficar atento aos seus sentimentos, aos seus pensamentos e à maneira como você está reagindo antes, durante e após estas horas infernais.

Nos primeiros minutos, qualquer pessoa pode ser tomada pelo estresse, pela inquietação. O problema é deparar-se com isso cada vez mais. Daí, não é difícil ser dominado pela ansiedade e tê-la como um transtorno, que pode exigir tratamento à base de remédios, ou ela facilitará a aparição de fobias e outros males, a saber: estresse pós-traumático, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), síndrome do pânico etc. 

Quando a ansiedade bate à porta, diversas pessoas tentam diminuí-la usando os recursos menos apropriados, uma vez que começam a roer as unhas ou – o que muito se vê por aí – comem e/ou bebem compulsivamente. Alguns juram encontrar alívio em uma barra de chocolate. Alimentar-se assim - dessa forma, nessas condições - auxilia o aparecimento do diabetes ou estimula o sobrepeso. 

Respeito pessoas que sofrem de ansiedade e buscam se cuidar com o auxílio de profissionais. Até considero ser uma atitude correta, em comparação àquelas que se aventuram enquanto tomam remédios sem orientação médica. 

Não é necessário muito para que a ansiedade se transforme em depressão – cuidado! Se você está se sentindo ansioso, possivelmente a verdadeira causa pode estar relacionada ao barulho exagerado. Então, tendo em vista a raiz do problema, acredito que já damos um passo significativo rumo à solução, antes de você gastar dinheiro e tempo visitando consultórios de psicologia.

É, portanto, essencial que você fique atento aos conselhos e itens que ainda apresentarei neste livro. Eles podem oferecer o caminho certo para alcançarmos e preservarmos o silêncio. Lute pela sua saúde a partir de agora.

5 - A busca incessante pelo silêncio

Se resumíssemos o título deste capítulo em uma única palavra, o termo “solidão” seria a escolha certa.

Gostaria de saber qual será nosso primeiro passo? Podemos começar por uma pergunta aparentemente ingênua: você tem medo da solidão? É um questionamento direto, mas a resposta – sendo ela sincera – pode exigir muito tempo, pois conseguir uma autoanálise completa é uma tarefa nada fácil. Há indivíduos que precisam de uma vida inteira para realizá-la. “Conheça-te a ti mesmo!”, ensinaram os antigos, e esses mesmos homens, sábios, acreditavam que temer a solidão é, em outras palavras, ter medo de si próprio  – concordo com eles. 

“O medo de se encontrar sozinho - é disso que eles sofrem - e então eles não se encontram.” Andre Gide

Não é novidade dizer que a natureza humana, em sintonia com sua verdadeira essência, busca a vida em sociedade. Ao estar em contato com alguém, você consegue, por exemplo, afastar pensamentos desagradáveis e anular emoções negativas. O problema é quando somos dependentes da companhia de outras pessoas. Me refiro a uma dependência completa. Neste caso, a solidão oferece um peso insustentável, devido à presença de pensamentos sombrios. 

Se sim, não tenha vergonha: busque a companhia de amigos, familiares e colegas de trabalho. Digamos se tratar de um conselho óbvio, mas desde já é fundamental entender que nossas necessidades, as mais particulares, não podem ser suprimidas com a presença de pessoas. Quanto maior este desejo, mais idealizamos nossas relações, como se aqueles que nos cercam fossem seres divinos. 

De fato, ter medo da solidão nos transforma em homens e mulheres vulneráveis, facilmente submissos. Arrisco dizer que você próprio, alguma vez, tolerou os excessos sonoros de seu vizinho, para não prejudicar relações nem assumir uma imagem antipática. Ninguém desejaria ser o estraga-prazeres do bairro. 

Antes de engolir uma série de desaforos, por medo de ficar só, entenda que a solidão pode ser um caminho proveitoso, capaz de despertar nosso potencial interior, como também proporcionar o silêncio desejado. Ou seja, são momentos em que, aos poucos, passamos a redescobrir e entender nossos verdadeiros sentimentos, nossas necessidades. Cultivar a solidão é um meio de alcançarmos o crescimento pessoal, pois você irá concretizar seu caráter longe de qualquer influência, a considerar aquelas que são transmitidas por outras pessoas. 

Para que você encontre os benefícios da solidão, procure encará-la de frente, sem medo, igualando-se aos mergulhadores que exploram abismos oceânicos, dominados pelo desconhecido. 

Tenha um canto isolado em qualquer lugar. Ele será direcionado para estudos, trabalhos, reflexões, ficar só. Contudo, estas atividades devem ser feitas com disciplina, estimulando o raciocínio a cumprir um método que, por sua vez, organize e esclareça seus pensamentos. A solidão se transformará em um degrau, que possibilitará a você executar tarefas e alcançar objetivos. É um costume que fortalecerá sua concentração e, simultaneamente, estimulará o silêncio que existe em você.

Experimentar o silêncio pode ser o estímulo necessário para resolver problemas ou para ter novas ideais, como a chave de um problema ou a elaboração de um conceito fora do comum. Sugiro fortemente que o silêncio se transforme em rotina, sendo praticado com frequência. Vale a pena se desligar de tudo que está ao nosso redor. 

Um dia você poderá dizer: “Sou dono do meu próprio silêncio!”, seguro de que nada, nem ninguém, vai roubar sua paz interior. Me refiro a uma tranquilidade que acompanhará você em qualquer lugar.

Depois de um dia atarefado, ficar um pouco em silêncio e descansar é merecido e importante, como mencionou Leonardo da Vinci: “Um dia bem gasto traz um sono feliz.”. Aqui, vou além do sono merecido e que favorece a saúde, recomendo apreciar o silêncio e o escuro do quarto após apagar as luzes – simples, não? Relaxe, deixe o iPhone de lado, ao mesmo tempo, busque se desligar do passado, presente e futuro. O silêncio oferece algo que transcende o próprio tempo, acredite. 

Agora, você pode entender que a solidão e o silêncio não são um bicho de sete cabeças. Pelo contrário. São duas circunstâncias que têm muito a nos oferecer, é claro, mas cabe a nós vivenciá-las com sabedoria. A solidão e o silêncio é um prazer que se resume à nossa própria companhia.

6 - Como lidar com o barulho?

Ir pelo caminho que transcende o mundo material, como buscar o silêncio interior através da autorreflexão, pode ser um grande desafio ao principiante… E vamos ser sinceros, para alguns, encontrar o silêncio no meio da baderna que vivem, é difícil! É comum encontrar dificuldades no início de uma nova etapa. Mesmo os que se consideram experientes, a contar com anos de estudos e tentativas, não encontram o silêncio todos os dias. Ter persistência é fundamental.

Parece ser mais fácil apontar, em linhas gerais, somente o roteiro que deve ser seguido (“Faça isso!” “Faça aquilo!” etc.). Mas saiba que também já estive nesta luta. Me identifico com aqueles que perseguem o silêncio e, na prática, utilizo e recomendo certos métodos. São adaptações confiáveis, que podem nos acompanhar ou simplesmente transformar o espaço de nossa casa. O conteúdo deste capítulo reflete, fielmente, a uma série de pesquisas, testes, relatos e experiências realizadas durante anos pelo nosso site.

6.1 - Protetores Auriculares

Vamos começar falando sobre os protetores auriculares, é o tipo de solução mais rápida, prática e barata para lidar com o barulho. Sem ignorar outros métodos fáceis entre outros complicados.

Apesar de ser um produto pequeno, existem muitos modelos, variações, marcas e o principal, esse pequeno produto pode fazer uma grande diferença na sua vida. É importante que você saiba que protetores auriculares são muito mais do que aqueles modelos genéricos encontrados por alguns centavos em farmácias e lojas de materiais de construção. Acontece que escolher o protetor auricular ideal não é simples, existem os tipos longos, grossos, finos, de espuma, de silicone, de cera, para canais auditivos mais sensíveis, uns tem proteção de apenas 12Dbs outros vão até 33Dbs (diferença absurda quando se trata de barulho), existem também modelos que filtram determinados tipos de sons e lista continua.

Os protetores que vamos comentar nas linhas abaixo são apenas os modelos intra-auriculares e moldáveis. Os modelos tipo abafadores (aqueles que parecem um fone de ouvido grande de DJ) não serão comentados aqui.

Acho que sobre os modelos eletrônicos, vale a pena mencionar que eles evoluíram muito, são protetores inteligentes, além de fornecerem proteção, esse tipo de protetor é capaz de filtrar certos tipos de barulhos, emitir ruído brancos para ajudar a anular ruídos externos além de se conectarem ao seu celular para que você possa escutar músicas e até mesmo atender uma ligação. Infelizmente esse tipo de protetor é caríssimo, sendo acima de mil reais para bons modelos. Sabemos que não é uma opção viável para a grande maioria, por isso, vamos falar sobre opções viáveis.

Como sabemos bem, os protetores auriculares ajudam muitas pessoas a finalmente terem uma noite de sono mais tranquila, outras nem tanto por diversos motivos: 

  1. A pessoa não sabe usar corretamente os protetores, principalmente os de espuma, onde você precisa comprimir e inserir corretamente DENTRO  do canal auditivo.
  2. A pessoa não está usando um modelo adequado para o tamanho do canal auditivo, causando muita pressão ou talvez caindo durante a noite.
  3. O som que atrapalha a pessoa a dormir é absurdamente alto e/ou com graves e, portanto, os protetores sozinhos não conseguem reduzir os ruídos a nível de não incomodar mais a pessoa.

A dúvida mais comum de nossos leitores e clientes é: “Qual o melhor protetor auricular pra mim?”. Infelizmente, não há como responder essa pergunta com exatidão. 

Quando alguém novo me faz uma questão do tipo, pergunto se a pessoa já usou algum tipo de protetor e o que ela achou, com base nas respostas tento indicar alguns modelos perto do ideal. Mas se a pessoa nunca usou nada, somente experimentando. Aquele protetor que funciona melhor para você, tanto em conforto, quanto em eficácia é uma escolha muito subjetiva, seu canal auditivo é único. 

Por isso, copiamos a ideia do nosso fornecedor de protetores auriculares nos Estamos Unidos e criamos um kit de teste onde selecionei vários modelos que julgo serem os melhores para o mercado brasileiro. Convido o leitor para ler os milhares de comentários, cenários, reclamações, desabafos e avaliações sobre os protetores no site: dorminhoco.com

Veja abaixo o depoimento de um dos clientes sobre nosso ‘kit de teste’. Entenda que o melhor protetor para você pode ser difícil acertar logo de primeira:

Cai: “Indispensável, não tem como recomendar o melhor pq alguns que achei terríveis outras pessoas aqui em casa adoraram, vc realmente tem que testas todos desse kit”

Agora vamos continuar falando dos protetores de uma maneira geral.

Algumas pessoas, não suportam de jeito nenhum ‘enfiar’ um protetor de espuma reduzido lá no fundo do canal auditivo, deixando apenas uma pontinha para fora a fim de facilitar a retirada quando acordar. Para quem já sabe disso, certamente os modelos moldáveis são a melhor opção, pois estes trabalham tampando o canal auditivo.

Vale a pena mencionar que algumas pessoas parecem ter uma experiência horrível com protetores de espuma. Caso seu canal auditivo esteja com muita cera e você colocar o protetor antes de dormir, poderá acordar, tirar o protetor e ficar com a sensação de ouvido entupido. Isso acontece porque o protetor empurra o excesso de cera pro fundo do canal auditivo. Caso isso aconteça, basta ir na farmácia mais próxima e comprar um remédio chamado aceratum (ou similar) e pingar uma gotinha dentro do ouvido, o remédio dissolve a cera quase que instantaneamente. A recomendação é limpar bem a superfície dos ouvidos antes de usar os protetores.

Devo ser sincero e alertá-lo para o perigo. Mesmo com anos de experiência nos uso de protetores, no começo de 2021 tive a infelicidade de passar por uma situação ruim. Moro numa região com bastante poeira, e passo por momentos onde uso máquinas bem barulhentas, e trabalhando com protetores auriculares a anos, sei que o barulho excessivo só nos prejudica principalmente na velhice. Não quero ser um velho surdo por burrice. Infelizmente, usei os protetores intra-auriculares numa situação onde deveria ter limpado os ouvidos antes. O resultado foi que nem o remédio que dissolve a cera ajudou, a sensação de ouvido entupido não é nada legal e durou uns 3 dias de insistência no remédio antes de ir no médico fazer lavagem, ele retirou uma bola de cera do tamanho de uma bola de gude.

Dado o alerta, mantenha seus ouvidos limpos, vamos continuar.

Alguns modelos tendem a incomodar certas pessoas enquanto outras não. É muito difícil escrever e acertar na questão do conforto, só testando para saber, mas sem dúvidas os modelos moldáveis, que apesar de terem o nível de redução de ruído menor, são aclamados pelos leitores e clientes como bem mais confortáveis que os de espuma. 

Quanto mais confortável, melhor será a proteção. Por exemplo: As mulheres tendem a ter o canal auditivo mais sensível e menor, por isso os protetores pequenos e finos fazem sucesso entre as mulheres. Com certeza, não é garantido que 100% das mulheres vão se adequar a esses tipos de protetores, mas no geral, esse tipo é um dos que mais faz sucesso entre elas.

Não adianta alguém com canal auditivo pequeno ou médio usar um protetor grande que oferece máxima proteção, por um lado, você consegue abafar mais barulhos porém seu canal auditivo ficará irritado, podendo dar até dor de ouvido e de cabeça, você não se sentirá bem usando, já que o protetor grande ficará exercendo pressão dentro do canal auditivo pequeno e médio.

Veja abaixo as imagens de um protetor de espuma em seu estado normal, depois comprimido para inserir dentro do canal auditivo e como ele deve ficar após inserido.

O fato de comprimir o protetor e ‘enfiar’ essa longa espuminha lá dentro do canal auditivo incomoda algumas pessoas. Nesse caso, os protetores moldáveis são uma melhor alternativa.

Dependendo da extremidade da situação, talvez seja impossível abafar 100% os ruídos externos, é verdade, mas no mínimo podemos deixar numa altura confortável que não atrapalhe o sono, talvez.

Os protetores auriculares funcionam em boa parte dos casos. Existem casos e casos. No geral, os protetores podem apenas reduzir ou parar os sons transmitidos através do ar, os sons que seu corpo também sente (através do sistema esquelético) não podem ser barrados pelos protetores, esses são os sons graves.

Existem casos em que os protetores auriculares sozinhos não vão ajudar, vamos dar o exemplo através do comentário de uma leitora:

She.: “Olá. Estou sofrendo muito para dormir devido barulho de som de música da casa em frente a minha. Tenho sono leve, mais o som é realmente muito alto. Sinto a vibração na cama. Existe algum protetor que seja eficaz bloqueando ou pelo menos atenuando o barulho pra que eu consiga dormir? Tenho sensibilidade nos ouvidos e já tive otite também. Agradeço pela atenção.”

Nesse caso, é relatado pelo cliente que até as vibrações na cama é possível sentir, se deduz que o som vindo da casa de frente tenha muito grave, e os graves percorrem através do chão e das paredes, então você continua sentindo através do seu sistema esquelético. Os protetores vão atenuar apenas parte do barulho, aquele tuuuuummmm tuuummmm tuuuummmm você ainda consegue sentir.

Uma boa resposta para a situação da leitora acima, seria uma combinação de itens. Por exemplo:

  • Na frente da casa, plantas poderiam ser colocadas para absorver parte do som.
  • As frestas de janelas, portas e ar condicionado devem ser vedadas com espuma de vedação ou espuma expansiva.
  • Janelas acústicas também ajudam, apesar de caras.
  • Objetos como tapetes, poltronas e sofás no quarto também ajudam a absorver o som.
  • Dormir com o ventilador ou ar condicionado ligado também ajuda, pois estes aparelhos geram o conhecido ‘ruído branco’.
  • Usar protetores e por cima usar um fone de ouvido próprio para dormir: Os SleepPhones.
  • Opte por cortinas grossas ou específicas que ajudam realmente a bloquear o som. Aqui fica minha recomendação das cortinas eclipse (eclipsecurtains.com), essas cortinas tem tecnologias específicas que ajudam a bloquear sons externos. Eu já testei o modelo blackout que tem uma redução de ruído considerável, mas o modelo absolute zero, promete um nível de redução de ruído maior, além de outras vantagens. 

6.2 - Janelas acústicas

Em nossa lista, que abrange objetos e técnicas contra o barulho, janelas acústicas merecem seu devido lugar. Às vezes eu recebo, através do Dorminhoco.com, o relato de pessoas que instalaram estas janelas sofisticadas em casa. Daí, você mesmo pode estar se questionando: “Elas funcionam de verdade?” Depende. 

É uma resposta relativa porque envolve uma série de considerações, a entender que nem todos os vidros acústicos são iguais! Além disso, ainda temos a situação dos sons graves, que nem todos os vidros e estruturas de construção resolvem. No geral as janelas acústicas são ‘um a mais’, você ainda precisa de outros meios de proteção contra o barulho.

O mercado disponibiliza vidros variados. Cada um possui particularidades, considerando, por exemplo, sua espessura e desempenho: características que podem ou não proporcionar ao usuário o resultado esperado – sejamos realistas!

Antes de escolher o vidro, observe a espécie de ruído do qual você deseja se livrar. Também leve em conta sua frequência, que pode oscilar entre agudo e grave. 

No geral, vidros acústicos são produtos caros e, em vista disso, antes de comprá-los, procure saber o quanto você está disposto a investir. Procure um jeito de achar um fornecedor confiável e qualificado na sua cidade. 

Dependendo da intensidade dos ruídos, talvez seja necessário mais que uma janela, por exemplo, paredes reforçadas com fibras de vidro vão reforçar a efetividade dos vidros.

6.3 - Espuma de vedação

Neste tópico, exponho em linhas gerais, uma solução básica, barata e discreta contra o barulho. É a espuma de vedação. Como é sabido, vedar significa “tapar”, “bloquear”, “cobrir” etc. Há uma espuma especial para isso, e ela é uma opção MAIS econômica, vendida em inúmeras casas de construção e descomplicada no uso.

Esta espuma está disponível no mercado a partir de um modelo considerado padrão – quer dizer, no formato de longas tiras, disponíveis nas cores marrom, branco e preto. Produto de simples manuseio. Sinta-se à vontade para preencher frestas encontradas em ar-condicionado, janelas e outros objetos de encaixe.

Se você usa protetores auriculares, a espuma de vedação é um complemento recomendável, afinal, esta combinação reforça o silêncio desejado. 

Outro tipo de espuma, que serve para vedar espaços vazios, é a chamada de espuma expansiva. Ela costuma ser vendida em latas de spray e já contém, no rótulo, as instruções que ensinam o modo correto de utilizá-la. Também serve para consertar trincas, fixar painéis, preencher batentes de portas e janelas, por exemplo.

6.4 - Ruído branco

Certa vez, uma cliente nos relatou: “Não consigo dormir sem ventilador. Se faz calor ou frio, preciso ligá-lo, só para ouvir aquele barulhinho que ele faz, sabendo que ele anula outros vindo de fora”. Talvez ela não saiba, mas este som se chama ruído branco. 

Em geral, o ruído branco serve para abafar outros barulhos externos que perturbam o sono.  Tal ruído se assemelha bastante ao da televisão ou do rádio quando estão fora do ar. É evidente que há outras formas de som que podem, sim, ser classificadas como ruído branco. Exemplo: sons da natureza (chuva, mar, vento e ecos da floresta); sons eletrônicos (ar-condicionado e ventilador, os mais comuns em lares brasileiros); sons de insetos e animais (coruja, grilo e lobo), sons urbanos (pessoas conversando) e etc. 

A boa notícia é que já existem sites e aplicativos nos quais você tem acesso ao ruído branco em suas diversas formas, como os exemplos mencionados no parágrafos acima – não, você não precisará viver em um bosque, isolado, buscando o ruído branco mais exótico. 

O ruído branco também está presente em consultórios médicos ou de psicologia, pois, sendo reproduzido em volume baixo, tranquiliza o paciente. E vou além: este ruído é capaz de acalmar crianças pequenas e recém-nascidas. 

Não se esqueça de que protetores auriculares e ruído branco são uma excelente combinação.

Como foi dito nas linhas anteriores, o ruído branco acalma crianças recém-nascidas, sendo apropriado às que costumam despertar com o menor barulho. É, contudo, impressionante saber que o próprio ruído branco é capaz de acalmar as crianças que ainda estão se desenvolvendo no ventre. 

Outro fato interessante tem a ver com o zumbido no ouvido. Por acaso você sofre deste mal? Sim?! Então, o ruído branco é recomendável para abafar este sintoma que tem incomodado tanta gente. Mas sempre busque o auxílio de um profissional da saúde.

6.5 - Tapetes, cortinas, tecidos grossos

Esse método envolve dar preferência em mobiliar sua casa com tecidos grossos, tapetes aveludados, sofás com mais tecidos, cortinas grossas e etc.

Os tapetes, por exemplo, além de elegantes e aconchegantes ajudam bastante a reduzir o barulho ao seu redor. Como já mencionado, o som pode ser transmitido de qualquer lugar, até mesmo do chão. Barulhos externos que emitem graves ou barulhos na estrutura do prédio como elevadores, canos de água e etc podem e provavelmente são projetados no chão da sua casa ou apartamento. 

Os tapetes têm capacidade de absorver sons até dez vezes melhor que o chão duro. Num quarto todo de carpete, por exemplo, os sons gerados são muito mais baixos.

As excelentes propriedades de isolamento acústico dos carpetes ajudam a reduzir o ruído de várias maneiras. Eles reduzem os sons gerados e absorvem os sons refletidos. Portanto, os tapetes ajudam a reduzir sons externos, preservando o silêncio no seu ambiente e também ajudam no sentido de você incomodar menos o vizinho.

6.6 - Plantas

Há plantas para todos os gostos. Elas conseguem harmonizar ambientes diversificados, como também são capazes de abafar ou bloquear ruídos, sabia? Desde sempre reforço esta sugestão porque é um método fácil, de preço acessível, mas que às vezes é ignorado por muitos. Guarde bem esta dica. 

Quando você enfeita sua sala com um vaso, a planta que está ali é capaz de alterar a acústica do local. Como? Diminuindo o tempo de reverberação do próprio barulho, graças às partes que compõem a própria planta – folhas, talo, ramos e caule. O tamanho da planta, incluindo tudo que forma sua camada externa, determinará a eficácia contra o ruído. 

No instante em que há contato entre o som e um objeto flexível, como a planta, constata-se uma vibração que, logo, transforma as ondas sonoras em energia, que é direcionada para outros lugares.

Talvez você, agora, esteja se questionando: “Devo usar plantas de vaso pequeno ou grande?” Ambas opções são bem-vindas. As plantas de vaso grande, por exemplo, proporcionam maior êxito contra o barulho. Estudos comprovaram que plantas de diferentes espécies, cultivadas em um vaso grande, são ótimas para esta finalidade – aliás, isso funciona melhor do que aquelas plantas grandes que são cultivadas no solo.

Ter vasos pequenos em boa quantidade satisfaz colecionadores de plantas e pessoas que desejam despistar o barulho. Para isso, você precisa espalhá-los pelo cômodo; Plantas pequenas caem muito bem em qualquer lugar. 

As plantas cultivadas em paredes – o famoso “jardim vertical” – são uma escolha proveitosa. É uma adaptação que agrada aos olhos, diminui o barulho, revigora o local, transformando-o num ambiente aconchegante.  

Se você busca diminuir o barulho, saiba onde colocar corretamente as plantas, isto é, nos cantos ou beiradas de um cômodo. Seria inútil posicioná-las no meio da sala, pois o ruído, após transpor as paredes, acabaria sendo refletido nas folhas. 

Falar sobre plantas que fortalecem o silêncio é interessante, mas não é um assunto para se estender muito. Pesquise por conta própria as plantas que você pode cuidar dentro de casa.

6.7 - Fone de ouvido para dormir

As pessoas experimentam usar fones de ouvido para dormir por diversos motivos. Pode ser para se acalmar, relaxar com uma música tranquila ou para bloquear barulhos externos que não deixam a pessoa dormir. O problema é que dormir com fones de ouvido não é muito confortável, principalmente se você estiver usando modelos intra-auriculares ou aqueles modelos que tampam toda a orelha, usados por gamers e DJ 's.

Nos dias atuais, felizmente, já existem inúmeros modelos de fones de ouvido para dormir, esse tipo de fone funciona como uma bandana e os auto-falantes que ficam dentro da bandana são tão finos que você não sente. Pioneiros no mercado foram os SleepPhones, sucesso até os dias atuais. 

Esse tipo de fone é de longe mais adequado para dormir que os modelos intra-auriculares por exemplo. E vale mencionar que, caso resolva usar os modelos comuns, os intra-auriculares, sempre mantenha-os limpo para evitar infecções.

Fato comum sobre os SleepPhones é que quando se trata de proteção contra o barulho, esse produto é usado junto com os protetores auriculares, garantindo uma proteção BEM superior que os protetores sozinhos. É claro que isso não vale para todas as pessoas, pois para garantir essa proteção redobrada, você precisa reproduzir algum tipo de ruído branco. 

Pessoalmente, caso algum barulho muito alto esteja me incomodando para dormir, os protetores junto com os fones reproduzindo algum tipo de ruído branco - como sons de chuva com trovões - resolvem meu problema.

6.8 - Você já considerou se mudar?

Como eu já disse antes, acredito que vivemos numa cultura que exalta o barulho, o brasileiro em sua grande maioria é festeiro e sem educação. Há diversos lugares no meio da cidade onde as pessoas se respeitam e conseguem dormir em silêncio, mas isso está acabando. A tendência é que grande cidades continuem inflando, todo dia é alguém fazendo aniversário, comemorando, gritando, cantando, ligando o som alto, fazendo barulho no andar de cima tarde da noite, cachorros pequenos latindo fino no seu ouvido, os problemas não acabam… Em certos lugares eu diria que a tendência do barulho é só piorar, nesse caso a solução é se mudar.

Falar é fácil, mas criar uma condição favorável para se mudar é difícil para a maioria das pessoas. Então você deve se preparar, criar coragem e procurar meios para criar essa condição. Não planeje muito, vá, a vida se ajusta em meio ao caos que a própria vida é.

7 - Conclusão

Ironicamente o barulho deu início ao negócio da minha vida, noites em claro se transformaram em pesquisas, posts e a introdução de novos produtos no mercado brasileiro. Pessoalmente, ao longo dos anos, conversei com milhares de pessoas por whatsapp, email e redes sociais. Escutei muitas histórias e consegui ajudar muita gente, isso não tem preço, o dorminhoco.com se tornou meu bebê.

Pretendo ainda inaugurar uma área no site chamada “Qual seu problema para dormir”, para você compartilhar sua situação, sem precisar se identificar (se quiser) e receber o meu feedback assim como também o feedback de outras pessoas que estão passando pela mesma situação. Enquanto não está pronta, lhe convido de qualquer forma a visitar nossa loja e blog no endereço dorminhoco.com, há muito mais conteúdo lá, assim como milhares de histórias e depoimentos espalhados pelo site e pelas redes sociais.

Fique à vontade para entrar em contato por e-mail ou whatsapp quando quiser, ficarei feliz em saber que posso ajudar.

Texto postado em 13 de Outubro de 2021 .

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